A Beleza da Madrugada

domingo, 16 de dezembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

São cinco horas da manhã.
Em algum lugar da cidade um rádio-relógio toca insistentemente e seu dono aperta o botão da soneca, já sabendo que irá se atrasar para o trabalho naquele dia. Num quintal grande, um desses poucos que ainda resta no meio da selva de concreto, um galo canta adiantado. Não amanheceu ainda. Mas parece que não é noite mais.
Uma moto passa quieta pela rua. O mais quieta que uma moto pode ser. Seu motorista ignora o céu escuro. Mas o barulho não é ignorado por mim.

Ouço o som da madrugada.
Quieto. Barulhento.

A maioria das pessoas dorme um sono profundo, prontas para acordar para outro dia de afazeres.
E eu penso. Penso sobre a vida. Sobre a minha vida e a dos outros. Penso sobre o sentido de estarmos todos aqui.
Penso sobre a morte. Esse evento inevitável a todos nós. Mas nunca penso sobre ela de forma triste. Vem como um pensamento natural. A morte sempre foi natural a mim. Como estar com fome. Uma necessidade humana. Um evento humano.

Tenho saudades. Sinto saudades de algo. Não sei exatamente do quê.
Parece não ser bem saudades. Talvez seja mais uma nostalgia.
Nostalgia do que foi, nostalgia do que não foi mas poderia ter sido.
Nostalgia do que será e nostalgia do que nunca vai ser.

Continuo pensando. Em pessoas. Que estão presentes em minha vida, que já se foram. Pessoas que não falo mais, e outras que permaneceram durante anos.

Penso em quanto a madrugada é linda. Em quanto longa é. Mas o quão rápido ela passa. Leva minhas perguntas sem responder nenhuma delas. Leva meus sentimentos sem apaziguar nenhum. Sem se importar com o dia que tenho pela frente.
Vazia, cheia de significado.

Perguntas Retóricas Tem Resposta?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

A vida é cheia de perguntas. Acho isso um tanto assustador, já que não sei responder a maioria delas.
Sempre fui o tipo que toma decisões rápido, que responde perguntas sem pestanejar. Mesmo que algumas vezes essas respostas tenham sido "decido mais tarde" ou "quando chegar a hora, resolvo".
Aquela clássica receita proteladora.

Já meu jeito de lidar com problemas foi sempre ignorar até o ponto em que ele estivesse tão perto que poderia ser um cão raivoso me encarando. E então o resolveria da forma mais rápida possível, sem nenhuma bagunça e nenhuma gota de sangue espalhada pelo carpete.

Mas algumas questões acabam se transformando em problemas quando se fica mais velho. Problemas sem solução rápida. Talvez sem solução alguma.

Escolher entre romper com quem você sempre admirou, quem você tem como herói, ou viver a vida do jeito que você sempre sonhou? Da forma como sempre quis, com seus princípios, suas regras, sua forma de ver o mundo?

A grande questão que rege a vida, o Universo e tudo o mais, infelizmente não pode ser respondida com um número. Parece até um pergunta retórica. Algo filosófico feito para nos deixar acordados a noite, olhando para o teto do quarto, tentando encontrar uma resposta que nunca será alcançada:
Fingir ser algo que não é, engolir coisas em que não acredita para não decepcionar quem importa mais, ou seguir o que todos pregam e ser você mesmo?

Realmente gostaria dessa resposta.
Existe um caminho mais fácil? Ou é assim mesmo?
Perder algo não importando qual decisão tome?



Não Sou o Que Queria Ser

sábado, 10 de novembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Quando era criança sempre pensava como seria quando crescesse. Provavelmente alguém que usaria roupas sociais o dia todo, uma dessas pessoas que parecem importantes. Esse tipo que passa na rua falando no celular, parecendo sempre atrasado para algo. Que é requisitado a estar em lugares, e que a presença é tão importante que se não está, a coisa não acontece.

Não que já seja hora de ser essa pessoa. Não que eu ainda não possa sê-la.
Mas não sou também a pessoa que eu queria ser quando chegasse à idade que tenho.
Na verdade, sou bem o oposto. Nada do que eu imagina ser.
Tudo que pensei que poderia ter conquistado, foi alterado para algo que realmente conseguiria alcançar.

A meta que imaginava quando criança não foi alcançada, mas é meio engraçado. Não é como se me sentisse mal comigo mesma e queira mudar quem eu sou.
É engraçado que mesmo não sendo quem eu queria ser, eu estou no caminho de me tornar quem eu quero ser.
Que eu sou quem exatamente eu gosto de ser.

É engraçado como nossa perspectiva muda com o tempo.
O quanto nosso padrões se adaptam à realidade que nos cerca.
E que podemos ser felizes.

Não sendo o que queríamos ser ou pensávamos que seríamos, mas sendo o que queremos ser agora.



To Be Beautiful

domingo, 28 de outubro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Esse não é um texto de pena. Nunca fui aquele tipo de pessoa que fala que é feio para os outros responderem "Imagina querida, você é linda!". Eu nunca me achei particularmente feia pra falar a verdade. Não bonita, mas não feia também.

Mas durante dezessete eu fui levada a acreditar que ninguém me achava bonita. A não ser a minha mãe, mas a mãe da gente não conta, porque elas acham os filhos bonitos. Por mais cara de joelho que eles tenham quando bebês.

Talvez porque eu andasse com garotas muito mais bonitas do que eu. Ou ainda porque meu cabelo me deixasse com cara de criança.
O fato é, até os dezessete nenhum garoto me queria.
Mais de uma vez eu ouvi o "prefiro sua amiga".

Só que aí a gente cresce, muda de ambiente, se arruma e percebe que não é você que não é bonita. São os outros que não viam sua beleza.
Que tem dias que qualquer um é feio. Mas vai ter aquele dia especial que você vai se sentir uma super modelo.
Um dia em que alguém vai chegar e te falar que você é linda.

Só que até lá, você vai ter que aguentar caras te olhando com jeito de desprezo.
Difícil mesmo é se achar bonita quando ninguém mais acha.

Mas this too shall pass.


I Thought I Had It Figured Out

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Quando eu tinha cinco anos queria ser cantora. Até descobrir que a voz que eu ouço na minha cabeça quando falo não é a mesma que as outras pessoas ouvem ou que sai do microfone. Desisti do glamour da profissão.

Aos onze ia ser uma estilista famosa com modelos usando meus designs em semanas da moda. Até entender que pessoas que não sabem desenhar não se dão muito bem nesse ramo.

Dos treze aos quinze apenas respondia quando me perguntavam com um singelo "Não sei". Até que o vestibular começou a se aproximar e essa frase não entrava mais na categoria de respostas para a pergunta de "O que você vai fazer da vida?".

Então eu comecei a responder que queria ir para a área de diplomacia, porque era a única resposta mais próxima e respeitável para "viajar pelo mundo como uma cigana pós-moderna, com mais banhos, mais dentes naturais que de ouro, e uma tentativa mínima de vestir roupas que são vendidas em lojas desse século".
Até perceber que a diplomacia estava muito fora da minha realidade.

Dezessete foi a idade em que decidi que, apesar de desistir da diplomacia, eu ainda poderia viajar pelo mundo. Era fácil, apenas me tornar uma correspondente de guerra.
É, pra falar a verdade, acabou que não é tão fácil assim. Principalmente quando o vestibular para isso é tão concorrido.

Com dezoito a carreira de escritora me pareceu ser o caminho certo, e por um tempo realmente acreditei nisso. E então eu descobri que para se tornar escritor, não apenas nesse país, mas em todo mundo, é preciso muito mais do que dom, boa gramática, temas originais ou mesmo saber colocar as ideias de forma clara.
É preciso sorte, muita sorte.
Ou dinheiro, muito dinheiro.
E escrever. Escrever como se você não tivesse mais nada para fazer da vida. Escrever como se o mundo não exigisse de você um curso superior, um mestrado, um doutorado e um pós-doutorado. Como se sua mãe não fosse ligar se você se trancasse no seu quarto e nunca mais falasse com seus amigos. Como se tudo o que você tivesse que fazer fosse escrever.

Descobri que nenhuma dessas coisas condiz com a realidade.
Na verdade, qualquer coisa que pensar como profissão, em minha mente, será algo idealizado.

E é por isso que agora eu não quero ser nada.
Quando me perguntam "O que você vai fazer da vida?" apenas respondo "Não sei, não decidi.".
Assim mesmo, sem nenhuma culpa. Sem nenhum remorso.

Porque quero decidir se vou virar à esquerda ou à direita quando chegar à bifurcação.
Quero apreciar o caminho enquanto o percorro, sem me importar muito onde vai dar.
Quero viver o momento.

Mesmo que ele não seja tão perfeito quanto eu tinha planejado.



Aquele Tipo de Garota

sábado, 22 de setembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Ela encontrou uns conhecidos na frente e se enfiou na fila junto com eles. Até aí tudo bem. Já fiz isso algumas vezes também, então quem sou eu pra falar?
Mas tinha alguma coisa sobre essa garota que despertou algo em mim.
Não eram as roupas de marca. Ou a mala de viagem da moda, que ela usava muito melhor que eu. Nem os amigos bonitos e o porte altivo, andando como se ela fosse uma modelo.

Por algum motivo inexplicável aquela garota me irritava.
Então me lembrei que a conhecia. Do colegial. Um ou dois anos mais velha.
E entendi que não era irritação. Era antipatia.
Antipatia, do contrário de empatia.

Ela nunca me fez nada pessoalmente. Ela nem sabe quem eu sou.
Mas é aquele tipo de situação de metonímia. A parte pelo todo.
Ela representa todas aquelas garotas de roupa de marca. Que eu jurava não me importar em ter.
Todas aquelas garotas que iam às festas. As que a gente comentava por não ter estado presente.
As que saiam com os caras mais velhos e bonitos. Que a gente só podia ter uma crush, porque eles nem tomavam conhecimento da nossa existência.
As que conseguiam se arrumar pra ir pra escola. Maquiagem e sapatilhas.

Não iria nem me lembrar que ela existia se não fosse a pose.
Agindo como há quatro anos atrás.
Como se ainda estivesse andando pelo corredor do Ensino Médio de uma cidadezinha insignificante.
Como se ainda fosse popular.
Como se ainda fosse aquele tipo de garota.

Eu cresci, mudei. Não sou mais aquela garota que apenas comenta sobre as festas. Eu participo delas. E se não, não ligo muito sobre o que aconteceu.
Mas por que você não? Por que?


A Maldição das Epifanias Noturnas

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Três da manhã.
Era aquele momento entre o sono e a realidade em que os duendes e as fadas aparecem para decidir se vamos ter sonhos ou pesadelos. Momento em que sombras se confundem com dinossauros e roupas dentro dos armários com monstros.
Foi naquele exato momento que tive uma epifania.

Uma dessas ideias geniais, que mudaria o rumo da vida a partir de quando decidisse coloca-la em prática.
Algo tão importante que ficou gravado em algum lugar no meu cérebro.
Muito bem marcado, como uma tatuagem que se faz de impulso. Como a cicatriz que adquiri quando brincava de pega-pega aos cinco anos.

Adormeci decidida que na manhã seguinte iria tomar uma atitude.
Pegar o telefone. Mandar uma mensagem. Fazer sinal de fumaça.
Mudar o rumo da vida.

Amanheceu rápido, como todo amanhecer acontece. O céu ficou azul claro. De repente não era mais escuro. As luzes da cidade se apagaram, pessoas começaram a se levantar, e tudo foi ficando barulhento. Outro dia começava.
E com a noite se foi também minha forte decisão.

Ela ainda estava lá na minha mente, como a tatuagem e a cicatriz.
Mas não parecia tão genial assim mais. Na verdade, parecia um tanto estúpida.
Não, não estúpida, apenas nem tão epifânica.
Parecia mesmo um tanto humana demais. Simples demais.

Então deixei pra lá.

'Cause I'm Just a Girl in the World

domingo, 2 de setembro de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

É incrível como algumas pequenas coisas podem de repente nos deixar um tanto chateados.

Linhas, por exemplo.

Nós, jovens, por mais "certinhos" que sejamos, gostamos de acreditar que vivemos nossa vida plenamente. Que todos os muitos (só que na verdade foram poucos) anos que gastamos para chegar até aqui foram totalmente aproveitados. Inteiramente, completamente, gastos.
Gostamos de pensar que nenhum de nossos dias foi inútil. Que tiramos uma lição de cada hora em que nossos olhos passam abertos nesse mundo. Que nossa mente está cheia de conhecimentos que um dia iremos precisar. Coisas como: o Empire State Building é o prédio mais alto de Nova York apenas por alguns metros e o nome da filha de Chris Martin e Gwyneth Paltrow é Apple.
Que tudo isso, os conhecimentos que adquirimos em nossa vida, mesmo os mais estúpidos possíveis, nos fazem únicos e especiais.

Mas não fazem. Milhares de outras pessoas aprenderam essas mesmas coisas.
7 bilhões de pessoas no mundo. Você, jovem, não é especial. Você pode ser único, mas ao mesmo tempo, não o é. Outros sabem fazer o que você faz. Outros fazem o que você faz muito melhor.
Você é só mais uma pessoa no mundo.
Nós somos só mais alguém no mundo.

Alguém que a vida inteira, todo o conhecimento adquirido, todas as memórias, todos os lugares visitados, todas as pessoas conhecidas, se resumem a cinco linhas.

Uma vida toda (mesmo que não tão grande assim) em cinco linhas.

Nasci.
Cresci.
Vivi.
Dormi.
Morri.

Mas o que eu sei? Sou só mais uma garota, afinal.


P.S.: Estou mandando o Neruda, que li sim, e odiei.

sábado, 25 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

"Me devolva o Neruda (que você nem leu)". É com essa frase que Mario Prata nomeia sua crônica de despedida da coluna que escrevia em um jornal. Li pela primeira vez na pré-adolescência,  provavelmente em um livro didático ou numa apostila de escola (você pode ler aqui). Não lembrava nem sobre o que era, mas a frase ficou grudada na memória.
Ficou tanto que agora sempre que falam em Neruda eu lembro dela.
Outro dia, no Twitter vi uma menção e automaticamente me veio a frase. Mesma coisa durante uma aula, em que por alguma razão Trocando em Miúdos foi mencionada.
O curioso é que, embora seja inspirada na canção de Chico Buarque, o verso na música é na verdade "Devolva o Neruda que você me tomou/E nunca leu".
Prefiro mesmo a do Prata.

E como adoro o "Me devolva o Neruda, que você nem leu"!. Rola tão bem na língua da gente.
Uma frase tão pequena, mas com tanto significado. Faz imaginar porque alguém emprestaria um livro (e na versão do Chico, tomaria, o que já remete a roubar mesmo) e não leria.
Será que foi uma daquelas coisas que acontecem quando a gente começa a se interessar por alguém?
Quando queremos ter algo em comum com a pessoa, e o outro gosta tanto de algo, que fazemos uma forcinha pra gostar também?
Será que um gostava tanto de Neruda que o outro teve que fingir que gostava?

E aí, quando se separaram, um deles descobre que o outro estava pouco se lixando pra poesia. E joga isso na cara, como uma das causas da separação.
"Você nem gostava mesmo de Neruda! Tanto que não tocou no livro!!"
Não sei se seria algo gritável durante uma discussão. Mas no fim, eles estavam mesmo trocando em miúdos. 

Quando o coração da gente está quebrado, qualquer coisa serve pra apunhalar o dos outros.
Mas o que dói mesmo é saber que a outra pessoa gostou de você a ponto de fingir ter algo tão importante assim em comum.
E que talvez você tenha feito o mesmo.




Eu me mordo de ciúmes. (But not really)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

É assim que a história começa: há uma garota. E um garoto.
Ou então um garoto. E uma garota.
Ou ainda uma garota e outra garota.
Ou um garoto e outro garoto.
Mas o que todas tem em comum, pelo menos pra essa questão específica, é que existe outra garota ou outro garoto envolvidos.

Porque né, a vida é uma bitch.
(Porque se fosse uma slat, seria fácil.)

Nesses idos de tempos modernos saber tudo o que o outro faz já nem é esquisito, e as pessoas não tem nem mais vergonha de dizer "Stalkeio sim, e daí" sem soar psicótico. Acho que querer saber do outro é uma coisa que sempre aconteceu, mas hoje em dia as coisas estão ficando mais escancaradas. Mais abertas.
Todo mundo sabe o que todo mundo comeu no almoço.
Todo mundo sabe o que todo mundo tem.

A curiosidade, além de matar o gato, nos faz ter atitudes que não queríamos. Mas não só ela.

É esse louco instinto humano de possessão. Minha casa, meu carro, meu cachorro, meus amigos, meu marido, minha esposa.
Como é que se tem alguém?
Como é que se torna dono daquela pessoa a ponto de intitulá-la "sua"?

Porque vocês se conhecem, conversam, e um dia aquele sentimento simplesmente aparece. Você, mesmo sem querer, acaba sentindo que a pessoa é sua.
Mas o problema é que ela não é.
Ela é livre pra falar com quem quiser. Sobre o que quiser. E você não pode fazer nada sobre isso, a não ser aguentar. "Se morder" com isso.
Porque se você morder a outra pessoa, ela vai reclamar. E talvez até se afastar.

Guardar o ciúmes pra você, mesmo que isso doa. Porque não é algo racional.

Mas ter um outro também não é.

A vida acontece. Será?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Como vocês podem observar eu tenho estado ausente.
Tá bem, eu abandonei esse blog.
Não porque eu quis. Acho que abandonar algo não é uma coisa que a gente escolhe. Simplesmente acontece.
Em um dia a gente está naquela situação, e aí tudo começa a mudar. A vida começa.
Sol nasce e se põe e você se vê dizendo coisas como: "Nossa, eu já vou fazer tal idade." ou "Ah, que belezinha, tão novinho(a)." ou "Tem tanto o que ver pela frente."
Não que eu ache que já vivi demais. Pelo contrário, tenho muito o que ver e vivenciar ainda.
Mas você sabe que está envelhecendo. Você sabe que os dias estão passando.
A vida está acontecendo.

E a gente nem se dá muita conta disso.

É a mesma coisa quando a gente visita uma família que não vê a muito tempo. Você olha para os filhos e eles estão grandes, e é impossível não soltar um "Como você cresceu!".
Mas quando você faz parte dessa família você revira os olhos quando alguém diz isso. Porque pra você, tudo basicamente continua igual.
Mesmo estando diferente.

O grande problema da vida é que ela acontece. Mas a gente não a percebe acontecendo, porque estamos ocupados demais vivendo. Ou reclamando que ela passa rápido demais.

Nada mudou.
Mas se você rever suas memórias vai ver que tudo mudou.

 

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