P.S.: Estou mandando o Neruda, que li sim, e odiei.

sábado, 25 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

"Me devolva o Neruda (que você nem leu)". É com essa frase que Mario Prata nomeia sua crônica de despedida da coluna que escrevia em um jornal. Li pela primeira vez na pré-adolescência,  provavelmente em um livro didático ou numa apostila de escola (você pode ler aqui). Não lembrava nem sobre o que era, mas a frase ficou grudada na memória.
Ficou tanto que agora sempre que falam em Neruda eu lembro dela.
Outro dia, no Twitter vi uma menção e automaticamente me veio a frase. Mesma coisa durante uma aula, em que por alguma razão Trocando em Miúdos foi mencionada.
O curioso é que, embora seja inspirada na canção de Chico Buarque, o verso na música é na verdade "Devolva o Neruda que você me tomou/E nunca leu".
Prefiro mesmo a do Prata.

E como adoro o "Me devolva o Neruda, que você nem leu"!. Rola tão bem na língua da gente.
Uma frase tão pequena, mas com tanto significado. Faz imaginar porque alguém emprestaria um livro (e na versão do Chico, tomaria, o que já remete a roubar mesmo) e não leria.
Será que foi uma daquelas coisas que acontecem quando a gente começa a se interessar por alguém?
Quando queremos ter algo em comum com a pessoa, e o outro gosta tanto de algo, que fazemos uma forcinha pra gostar também?
Será que um gostava tanto de Neruda que o outro teve que fingir que gostava?

E aí, quando se separaram, um deles descobre que o outro estava pouco se lixando pra poesia. E joga isso na cara, como uma das causas da separação.
"Você nem gostava mesmo de Neruda! Tanto que não tocou no livro!!"
Não sei se seria algo gritável durante uma discussão. Mas no fim, eles estavam mesmo trocando em miúdos. 

Quando o coração da gente está quebrado, qualquer coisa serve pra apunhalar o dos outros.
Mas o que dói mesmo é saber que a outra pessoa gostou de você a ponto de fingir ter algo tão importante assim em comum.
E que talvez você tenha feito o mesmo.




Eu me mordo de ciúmes. (But not really)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

É assim que a história começa: há uma garota. E um garoto.
Ou então um garoto. E uma garota.
Ou ainda uma garota e outra garota.
Ou um garoto e outro garoto.
Mas o que todas tem em comum, pelo menos pra essa questão específica, é que existe outra garota ou outro garoto envolvidos.

Porque né, a vida é uma bitch.
(Porque se fosse uma slat, seria fácil.)

Nesses idos de tempos modernos saber tudo o que o outro faz já nem é esquisito, e as pessoas não tem nem mais vergonha de dizer "Stalkeio sim, e daí" sem soar psicótico. Acho que querer saber do outro é uma coisa que sempre aconteceu, mas hoje em dia as coisas estão ficando mais escancaradas. Mais abertas.
Todo mundo sabe o que todo mundo comeu no almoço.
Todo mundo sabe o que todo mundo tem.

A curiosidade, além de matar o gato, nos faz ter atitudes que não queríamos. Mas não só ela.

É esse louco instinto humano de possessão. Minha casa, meu carro, meu cachorro, meus amigos, meu marido, minha esposa.
Como é que se tem alguém?
Como é que se torna dono daquela pessoa a ponto de intitulá-la "sua"?

Porque vocês se conhecem, conversam, e um dia aquele sentimento simplesmente aparece. Você, mesmo sem querer, acaba sentindo que a pessoa é sua.
Mas o problema é que ela não é.
Ela é livre pra falar com quem quiser. Sobre o que quiser. E você não pode fazer nada sobre isso, a não ser aguentar. "Se morder" com isso.
Porque se você morder a outra pessoa, ela vai reclamar. E talvez até se afastar.

Guardar o ciúmes pra você, mesmo que isso doa. Porque não é algo racional.

Mas ter um outro também não é.

A vida acontece. Será?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Postado por:Maria Raquel Silva

Como vocês podem observar eu tenho estado ausente.
Tá bem, eu abandonei esse blog.
Não porque eu quis. Acho que abandonar algo não é uma coisa que a gente escolhe. Simplesmente acontece.
Em um dia a gente está naquela situação, e aí tudo começa a mudar. A vida começa.
Sol nasce e se põe e você se vê dizendo coisas como: "Nossa, eu já vou fazer tal idade." ou "Ah, que belezinha, tão novinho(a)." ou "Tem tanto o que ver pela frente."
Não que eu ache que já vivi demais. Pelo contrário, tenho muito o que ver e vivenciar ainda.
Mas você sabe que está envelhecendo. Você sabe que os dias estão passando.
A vida está acontecendo.

E a gente nem se dá muita conta disso.

É a mesma coisa quando a gente visita uma família que não vê a muito tempo. Você olha para os filhos e eles estão grandes, e é impossível não soltar um "Como você cresceu!".
Mas quando você faz parte dessa família você revira os olhos quando alguém diz isso. Porque pra você, tudo basicamente continua igual.
Mesmo estando diferente.

O grande problema da vida é que ela acontece. Mas a gente não a percebe acontecendo, porque estamos ocupados demais vivendo. Ou reclamando que ela passa rápido demais.

Nada mudou.
Mas se você rever suas memórias vai ver que tudo mudou.

 

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