O Ano Termina

domingo, 21 de dezembro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Não é mágico como nossa noção de tempo-espaço muda frenquentemente?
Como ela se transforma segundo nossas percepções?
A claustrofobia diminui os ambientes.
E o tempo é estendido ou encurtado segundo nossas ansiedades ou os acontecimentos que enchem nossas vidas.

Um ano pode ser percebido como dois. Três. Quatro.
“Esse ano foi tão ruim que não acaba nunca. Até parece que foram dois anos em um.”
“Esse ano aconteceu tanta coisa. Parecem que foram uns três anos.”
Esse ano aconteceu tanta coisa que pareceu uma vida.

Uma vida em um ano.
Uma vida com pequenos momentos infinitos.
Pequenos infinitos em que se podia ser tudo. E nada.
Onde nos sentíamos parte do Universo. E o Universo estava dentro da gente. Era a gente.
Momentos em que nossa alma se sentia gigantesca, expandida, como se não fosse terminar nunca.

“E naquele momento jurei que éramos infinitos.”

E aqueles momentos infinitos terminaram.
O ano terminou.

Mas outro já vem nascendo aí.

E com ele mais uma vida de momentos infinitos.

Ilusões Desiludidas

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Faz alguns dias me perguntei se você não seria apenas uma ilusão da minha mente.
A resposta veio agora.
Sim.
Sim, você é.

Não somos as mesmas pessoas que fomos anos atrás.
Eu mudei muito.
Você, mais ainda.
Tão distantes daquilo que éramos.

Não é incrível a claridade que vem com ciúmes psicótico?
(Peguei essa frase do meu filme favorito.)
Uma claridade tão fresca, tão expansionista, que me puxou de volta à realidade.

Você é uma ilusão.
Talvez sempre tenha sido uma ilusão.
E agora, mais do que nunca, estou deixando essa ilusão desaparecer.

Minha solidão não está mais me matando.
Então, baby, don't hit me no more.


Quase, Mais Uma Vez

domingo, 9 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Fiquei um bom tempo pensando em você mais uma vez.
Você, sempre você.
Por que você?
Não sei.

Seu jazz. Suas piadas. Seu jeito.
Parece que agora tudo se mistura em uma névoa.
Quase nem consigo lembrar seu sorriso mais.

Será que te inventei?
Não. Acho que não é possível que inventasse alguém como você.
Que na primeira vez já veio dizendo: "Você se parece com a Kristen Stewart."
Eu odeio a Kristen Stewart.

Será que inventei sua lembrança?
Provavelmente sim.
Cada vez mais vou esquecendo como você realmente era.
Te tornando um vazio maleável que construo a meu bel prazer.
Uma massinha de modelar em que coloco minhas esperanças.
Uma imagem psicossomática que aparece sempre que necessito.

E mais uma vez, quase te escrevi algo.
Mas então pensei bem.
Para quê?
Apenas para suprir um capricho tolo?
Provar algo?
Tirar um pouco da solidão, consequência da própria vida que escolhi?

Não tenho esse direito.
Temos que viver com nossas decisões e suas repercussões.

Mas ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar:
E se?
E se não for só isso?
E se todo esse tempo esse sentimento não foi inventado, mas verdadeiro?
E se você pensa desse mesmo jeito?

É por isso que, quando eu não envio nada, queria que soubesse, que eu quase envio tudo.


Negra Sim!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Um dia disse: negra.
E me disseram: negra?
Eu disse: negra!
E me disseram: negra não.

Me disseram:
Morena.
Pretinha.
Cor de jambo.
Moreninha.

Ouvi tanto o que me diziam que acabei dizendo também.
Dizia: negra não, morena.
Dizia: moreninha.
Dizia até: pretinha.

Disse tanto.
Disse a vida toda.
Disse por tanto tempo que acabei acreditando que negra não.
Negra não, morena.

E meus filhos, e meus netos, negros não.
Brancos.
Brancos.

Negra não.


Se Eu Fosse Homem

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Se eu fosse um cara, seria bem escroto.
Não que eu quisesse ser, ou soubesse que estava sendo.
Mas a sociedade se encarregaria disso.
Branco, de classe média-alta, com todas as oportunidades apresentadas de bandeja.

Se eu fosse um cara seria bem diferente do que sou hoje.
A criação seria praticamente a mesma: escola particular, ter tudo o que quer.
Esse seria o problema.
Teria tudo o que quisesse.
Tudo mesmo.

Se eu fosse um cara meu gênero não me impediria de tomar nenhuma decisão.
Poderia morar onde quisesse, não importando o quão perigosa seria a vizinhança.
Poderia ir e vir sem me sentir coagida a evitar certos lugares.
Poderia olhar para onde quisesse sem que se precipitassem o motivo.

Se eu fosse um cara não precisaria tentar com tanto afinco.
Não precisaria fazer tanto esforço.
Teria uma personalidade parecida?
Teria os mesmos gostos?
Talvez não precisasse ser o que sou.
Talvez não soubesse ser o que sou.

Se eu fosse um cara, provavelmente seria gay.
E aí tudo o que disse antes mudaria completamente.


Quase

sábado, 13 de setembro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Quase te mandei uma mensagem hoje.
Sim, quase. Sim, de novo.
Escrevi ela praticamente inteira na minha mente.
Quase digitei.
Mas aí percebi o quão lunática estava sendo.

Porque fazem dois anos já.
Dois anos. Dois anos?!
Pois é, dois anos.

Se me perguntassem a quanto tempo não nos vemos iria dizer que há alguns meses.
Que acabei de falar com você sobre o lançamento daquele filme novo.
Porque pra mim sua imagem está tão nítida na minha memória.
Para mim parece que não nos falamos desde o começo do ano.
Mas na verdade foi a quase dois anos.

Dezembro chega, dezembro vai.
E fico nessa, de sempre quase te mandar mensagens.

Dezembro sempre foi uma criança problemática.
Tanto que causa problemas até mesmo em setembro.


Mas Que Idiota

domingo, 31 de agosto de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Às vezes eu não entendo algumas pessoas.
Não, pra falar a verdade, não entendo alguns caras.

Pra que dizer que você beijaria uma menina se no final não o vai?
Pra que combinar algo e não cumprir?

Não é mil vezes mais fácil falar que não irá e pronto?
Não dar nenhuma esperança?
Cortar o mal pela raiz?

Por que é que as mulheres tem que ser tão claras ao rejeitar um cara, mas os homens podem enrolá-las tanto?

E dizem que as mulheres que são confusas.

Apenas um beijo.
Não um pedido de casamento.
Ou um ultimato de gravidez.
Era apenas um beijo.

Idiota. É só o que consigo pensar pra nomear sua atitude.
Idiota. É só o que consigo pensar pra te nomear.

Você pode ser o que for, mas é também, um idiota.
(E no momento te odeio com todas as forças.)

Músicas e Pessoas

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Não sinto mais sua falta. Faz bastante tempo já.
É engraçado que no começo eu pensava muito em você.
Pensava se você pensava em mim.
Essas coisas de gente doida que não consegue deixar as coisas para trás.

Não sei quando foi que parei de pensar em você.
Não foi quando vi a foto de vocês juntos. Nem quando vi seu status de relacionamento mudar.
Mas foi em algum momento entre esse período e o agora.

Não me dei conta até ouvir uma música.
Você veio no meu pensamento.
Mas não era falta que eu senti. Nem amargura.

Foi sim uma sensação boa.
Não bem felicidade, mas um conforto.
Talvez em saber que você dividiu algo importante como aquela música comigo.
Talvez por saber que não sinto mais nada por você.

A música vai ficar pra sempre associada a você.
Mas ainda bem que eu não irei.


Sonhos

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Sonhos mudam rapidamente. Estão ali e de repente não estão mais.
São substituídos por outros.
Quando você vê PUF é um sonho estranho na sua frente.
Fingindo que vocês se conhecem desde que você nasceu.

Alguns são apreciados no boteco da esquina, ou na padaria daquele conhecido da família.
Outros são repaginados e vendidos por três vezes mais com um nome americano.
Uma mudancinha aqui e ali.
Mas ainda o mesmo sonho.

Os sonhos tradicionais tem aquele recheio simples, que lembra a casa da vó.
Mas então vêm os outros, que não se precisa de um livro de receitas de mais de vinte anos para preparar.
Se encontra na internet, qualquer um sabe.
Um clique e o sonho está ali, na sua frente.

O problema é que nem sempre ele é o que parece.
E tem tantos jeitos diferentes de sonhar que uma formula parece até querer estragar tudo.

Sonho bom é sonho que a gente mesmo inventa.
Em conjunto ou sozinho.
O importante é apreciar o resultado.

The Great Perhaps

sábado, 19 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Pensei em você hoje.
Sonhei acordada com o nosso reencontro.
Ambos éramos mais velhos, mais resolvidos, mais corajosos.

Nos encontramos por acaso, claro.
Dissemos tudo o que não tivemos coragem ou oportunidade de dizer antes de pararmos de nos falar.
Quer dizer, eu disse.
Eu estava mais corajosa. Eu falei as coisas que sempre quis falar para você.
Você era fruto da minha imaginação.
Era o que eu queria que fosse. Se comportou como eu desejava que se comportasse.

Começamos com conversas bobas, sobre outros que faziam parte da nossa vida.
Sobre o passado e sobre o quanto estávamos mudados.
Sobre a última vez que nos vimos, e sobre como era aquelas poucas vezes que conversávamos.

Não tive coragem de terminar o devaneio.
Não tive coragem de te inventar mais.
Não tive coragem de alimentar mais essas ilusões.

Que vamos nos reencontrar.
Que você ainda vai estar contente em me rever, como fazia no passado.
E que, finalmente, algo além iria acontecer.

Acho que se tratando de você, o que sempre me faltou foi coragem.
Deve ser por isso que bebo tanto.

Pronto Para Fazer o Pedido?

domingo, 6 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


Sim. Estou.
Eu quero um cara alto. Mas não tão alto.
Mas não baixo também. Mais alto que eu.
Olha a minha estatura. Calcula lá.

E que seja gostoso.
Já cansei de ficar com cara que não é gostoso. Não compensa, né.
Mas não muito gostoso também.
Não precisa ter barriga definida não.
Six pack não é necessário.

Que seja legal. Fofo. Gente boa.
E que tenha um bom papo.

Não, não.
Esquece.

Quero um bad boy.
Mas um desses bad boys com coração de ouro, sabe.
Um desses que a gente sabe que por dentro é a coisa mais linda que existe.
E que trata a mãe dele bem.
(Todo mundo fala que dá pra saber como um cara vai tratar a garota olhando pra como ele trata a mãe)

Ah, e tem que ter um sorriso lindo.
Uma coisa que não dispenso é ter um sorriso bonito.
Se não tiver sorriso bonito, devolvo sem nem ver o resto.
No mesmo dia.

Tem que ter aquele tipo de sorriso.
Sabe, aquele que quase nunca aparece. Mas que quando surge, faz as pernas ficarem bambas e a gente esquecer completamente o que é a vida.
Sabe do que estou falando, né garçom?

...
Não.
Quer saber?
Esquece.
Me traz só uma caipirinha mesmo.

Dormente

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Existem vários tipos de dormência.
A que mais engana é quando parecemos viver intensamente.
Quando parecemos alegres, felizes, rosados.
Por fora.

Por dentro, não sentimos nada.
Nada de alegria, nada de tristeza.
Por dentro há um ar blasé que nunca passa. Aquele tédio eterno de tudo.
Das pessoas, dos lugares, dos sentimentos.

Não é nem amargura.
É uma falta de sentidos, uma dormência.
Um nada.

E aí vamos vivendo intensamente, tentando satisfazer esse nada.
Às vezes dá certo. Por um pequeno momento.
Às vezes nos sentimos felizes. Às vezes irritados.
Mas logo passa.

Viver rápido o bastante para fugir dos demônios do passado.
Das escolhas, certas e erradas.

Mas será que se viver rápido o bastante o passado fica para trás?
Se viver rápido o bastante todos os "e se"s não vão mais nos assombrar?

Às vezes, quando a gente vive rápido demais, não vivemos nada.
Às vezes, nosso coração precisa de um desfibrilador.
Ou de um amor.

Os dois são a mesma coisa afinal, não?

A Culpa É Minha

domingo, 15 de junho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Eu vou culpar o timing.
Que foi errado da sua parte. E que foi errado da minha parte.
Vou culpar o horário.

Vou culpar também o local.
Vou sempre culpar o local.
Que local inoportuno você escolheu.

Culparei sim o tempo.
O cansaço.
E a Coca-Cola.

Vou culpar a minha falta de vontade em tentar.
E culpar a sua falta de coragem em insistir.
Culparei nossa resignação.

O dia foi culpado também.
E sua falta de sensibilidade.
Ou minha falta de sensibilidade.

Culparei a nós dois.
Mas a verdade é, você me pegou em um momento muito estranho da vida.
Em um momento em que estava tentando me encontrar.
E acabei te perdendo no processo.
Acontece, e a culpa não é de ninguém.

A culpa mesmo é que eu acho que nunca te quis de verdade.

Por Que Não Eu?

sábado, 14 de junho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


Ele beijou outra.
Já estava prevendo isso, mas ainda tinha uma esperança que seria eu.
Nem estava assim tão a fim dele. Juro.
JURO.
Então por que é que me sinto tão pra baixo?

Por que é que continuo desejando que fosse eu?
Mesmo sabendo que ele escolheu ela?
Mesmo sabendo que agora nada mais poderia acontecer entre a gente?
(Não, não poderia, vai por mim. Nada do que você falar vai justificar a gente mais.)

E eles são perfeitos um pro outro.
Eu acho. Todo mundo acha.
Nunca separaria os dois por nada no mundo.
Eles tem é que ficar juntos pra sempre.

Nem estava assim tão a fim dele. Juro mesmo.
Era uma pequena possibilidade que poderia ter acontecido.
Não aconteceu.
Bola pra frente, passa pra outro, a fila anda.


E mesmo assim, por que é que me sinto tão ruim?
Por que é que continuo achando que ele deveria ter me beijado?

Realidade x Televisão

terça-feira, 13 de maio de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


Sendo criados pela televisão, tendemos a acreditar que os pais que estão convivendo conosco em nossas casas se assemelham aos pais das séries.
Principalmente se sua criação se deu nos anos 90, início dos 2000, é bem capaz de você já ter pensado em como seus pais eram ótimos.
Talvez eles fossem, mas ao mesmo tempo, não tanto assim.

Os pais da TV são perfeitos.
São pais que se chateiam com os filhos, mas que basta um cut to e tudo já está melhor.
No começo do episódio eles estão bravos, mas no final estão jantando juntos numa refeição tipicamente americana.
São injustos com os filhos, mas antes de 20 minutos percebem sua injustiça e se desculpam.

Mas os pais da vida real, eles nunca pensam desse jeito.
Para eles não se aplica a regra da solução mágica.
Na vida real não tem fade out, então nada é resolvido dentro de 20 minutos.

Na vida real a gente só tem desapontamentos.
Porque fomos criados pela TV.
E, mesmo que às vezes os pais da TV desapontem seus filhos, eles estão sempre ali para apoiá-los em suas decisões.

Ao contrário dos pais da vida real, que acham que sabem melhor como seus filhos devem viver a vida do que eles próprios.
E não aceitam ou apoiam as decisões tomadas.
Os pais da vida real são muito diferentes dos da TV.

Devíamos ter sido criados pelos primeiros.
Mas fomos pelos segundos.
E nos desapontamos.


Voar

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Descobri como voar.
Não do tipo com avião, balão ou asa delta.
Voar apenas você e o céu.

Em um livro por aí dizem que para voar é necessário errar o chão.
Estar caindo e se esquecer que está caindo. E é assim que se voa.

Não é verdade.

Para voar não é necessário cair, mas sim estar leve.
Já voei muitas vezes, confie em mim.

Algumas pessoas ficam irritadas porque nunca conseguiram voar.
Essas nunca conseguirão.
É preciso não pensar em voar quando se quer voar.
Ou quando se está em pleno ar. Se se toma conhecimento do que está fazendo ou que conseguiu o que queria (voar), então se perde altitude e volta ao chão.

É uma sensação maravilhosa, a de voar.
É como se nenhuma de suas preocupações importassem. Como se tudo ficasse leve, livre.
O ar dos pulmões fica mais puro e o coração bate mais devagar.

Voar pode ocorrer de várias maneiras, mas sempre quando se está fazendo alguma outra atividade:
Apostando uma corrida por diversão com os amigos, subindo no topo mais alto de uma árvore, olhando o céu da varanda de um andar final de um prédio.
É nesses momentos que se inicia o voo.

Nesses e em outros.
Cada um tem seu momento particular para voar.
Às vezes pode acontecer juntamente com outra pessoa.
(Embora na maioria das vezes se voe sozinho.)

Mas cada um sabe quando voou.
Não antes, nem durante, mas logo após voar, se toma conhecimento do que acaba de acontecer.
Você vai saber quando voar. Você vai saber.

The One That Never Was

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


É um tanto irritante o quanto a vida tem o poder de te passar para trás.
Ou te empurrar pra frente, dependendo do ponto de vista.
Você se dá conta e já se passaram meses, anos.

Quando nos despedimos pela última vez, usamos um "Até".
Me lembro bem.
Até a próxima vez que nos virmos?
(Nunca aconteceu.)
Até a próxima vida?

(Tenho certeza que vamos nos encontrar na próxima vida.
Não pode ser que nossa interação seja apenas o que foi.
Sinto mesmo que nossa almas estão conectadas.
E mesmo assim, aquela sensação de perda sempre fica...)

-Não acredito em vidas passadas. Muito menos em almas gêmeas-

Tenho pensado bastante em como nunca tivemos uma chance de ser.
Nem você, nem eu.
(Nem nós? Talvez nós seja querer demais? Forçar muito a barra?)

Ele não me faz chorar. Mas também não me faz rir.
Você me fazia rir.
Você realmente me fazia rir.
(Sinto muita falta de rir)

Crueldade

segunda-feira, 31 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

É incrível como às vezes praticidade pode ser confundida com crueldade.
Mas as duas são coisas diferentes.

Uma pessoa prática é aquela que quer sacrificar um animal quando ele está velho e cansado, para acabar com suas dores.
A pessoa cruel quer sacrificá-lo porque acha que ele é uma praga.
A pessoa prática é a que diz “não consigo entender porque você não o denuncia”.
A cruel é aquela que fala “você é tão estúpida por não denunciá-lo”.

A pessoa prática diz “não acho que somos bons um pro outro mais”.
Já a cruel fala “conheci outra pessoa”.

Ninguém tem mãos tão frias.
Nem mesmo a chuva.

Minhas mãos são frias, mas pelo menos são práticas.

A chuva não é.


Deixar Morrer

quarta-feira, 12 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

O tempo tem vida própria.
Uns dias se transformam em semanas. Uma semana se arrasta em duas, três.
Quando menos se espera já se passaram meses. Anos.

E aquela situação que pensa que poderia ser algo a mais, não é.
Foi apenas mais uma situação.
E embora tenha aquela ideia martelando na cabeça, sabe que não vai fazer nada para mudar.

Talvez seja a covardia. Talvez o orgulho.
Mas por alguma razão, vai deixando passar.
Parece que nunca vai tirar aquilo da cabeça.
Pensa nisso o tempo todo e a qualquer momento.
Uma pequena visão e lembranças vem como uma torrente invadindo sua mente.

Mas passa. O dia a dia, as atividades.
A rua, os amigos. A bebida.
E de repente não se pensa mais nisso.
De repente é apenas uma lembrança vaga.
Uma boa história.
Apenas mais alguém que se conheceu.

Às vezes é melhor deixar uma situação morrer.
Pra dar oportunidade de outra nascer.


Melancolia Pluvial

sábado, 8 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

A chuva tem um certo humor. Uma certa melancolia.
Um certo jeito de deixar tudo triste.
Como num filme francês.

Chove e dá um aperto no peito.
Uma noção de que se está sozinho no mundo.
Sozinho no meio da multidão.
Guarda-chuvas não são suficientes para conter essa tristeza que transborda da gente.

Se pudesse chorar, provavelmente choraria.
Mas apenas suspiro de um jeito dramático.
(A chuva pede drama. Não algo novelesco, mas um drama hollywoodiano em que apenas chove o tempo todo.)

Mas tristeza é um sentimento bom.
Bonito, até.
Faz a gente se sentir vivo.
Ter uma certeza de que se está ali. De que se respira.

Por que você não me ligou?


Paranoia do Passado

quinta-feira, 6 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


Não me entenda mal.
Eu não quero ser esse tipo de garota. O tipo pegajosa, o tipo que pega muito pesado.
Não sou esse tipo de garota. Nunca fui.

Mas não consigo evitar.
É só uma reação natural do meu organismo ao que tudo isso representa.
Ao que você representa.

Quando me olha daquele jeito.
Mesmo sem maquiagem. Mesmo sem nada.
De um jeito como se você fosse quem tivesse tirado a sorte grande, não eu.
Como se eu fosse a melhor coisa no cômodo.

Não é uma questão de auto-estima baixa.
Sei que sou bonita. E gostosa.
E que caras querem ficar comigo.
Mas só porque sei essas coisas, não quer dizer que realmente acredite nelas o tempo todo.

Anos sendo ignorada, anos de "prefiro sua amiga", não desaparecem tão fácil.
Eles grudam em você.
Entram dentro da sua pele. Mexem com a sua cabeça.
Fazem ver coisas te encarando de volta no espelho.
Coisas que não estão lá de verdade.

Então desculpe se sou meio lunática às vezes.
Se acho que você vai me ignorar por completo a partir da semana que vem.
É que realmente não consigo entender como alguém como você poderia querer alguém como eu.
É loucura, eu sei, mas algumas coisas ficam com a gente pra sempre.
E a paranoia é uma delas.

Maçã do Amor

quarta-feira, 5 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Não costumo gostar de escrever muito sobre o amor.
Sobre as relações interpessoais, claro.
Sobre amor, o sentimento? Não.

Tenho essa ideia de que o amor é uma coisa ridícula.
Se não nos cuidarmos, se não estivermos constantemente alertas, ele toma conta de gente e nos transforma em pessoas completamente perdidas.
Não de um jeito bom.

Não é irritante quando as pessoas só sabem falar sobre uma coisa?
É assim que me sinto em relação ao "amor".
É incrível como a maioria das pessoas só consegue conversar sobre isso.
Sobre quem você está amando no momento.

Não sou uma pessoa de amar outros no momento.
Amor pra mim é de mãe, e só.
De irmão, no máximo.

Amor de outros é estranho.
Como é que alguém consegue conviver tanto com outro a ponto de amar essa pessoa?
De não se irritar com tudo e qualquer coisa que ela faz?
De realmente querer passar anos e anos ao lado dela?

Tudo isso parece lindo. Muito bom, muito bem.
Mas nunca quis nada do tipo. Parece algo indigesto até de se pensar.
Prefiro muito mais maçã ao amor.
E olha que nem gosto de maçã.

O Amor Acaba Para Recomeçar

domingo, 2 de março de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Outro dia revi Pocahontas.
E acho que descobri porque as pessoas não gostam muito do filme.
Sendo meu filme favorito da Disney e um dos meus filmes favoritos no geral, nunca entendi a pouca atenção que sempre recebeu.

Acho que as pessoas não gostam do filme porque ela não fica com seu "príncipe" no final.
Desculpa se você não sabia.
Mas não estou contando uma grande decepção.
A maioria das pessoas não acaba com o príncipe na vida real.

Aliás, o amor da vida dela nem príncipe era.
Nem era quem dava as ordens por lá. Recebia ordens, isso sim.
Era interessante, mas talvez não era a pessoa mais interessante ali.
Talvez seja por isso que não gostam muito do filme. É real demais para um animação.

O amor não dura para sempre.
Quando dura, são as exceções, não a regra.
Mas essa que é a beleza da vida real: o amor acaba para outro recomeçar.
Tudo tem que ter seu fim para que haja mudança. Para que haja novo começo.

E mudamos muito. Constantemente.
Às vezes alguns amores não conseguem acompanhar essas mudanças.
E acabam morrendo.

Não é uma coisa ruim, no entanto.
Dói, sim, mas é dor gostosa. Dor de esperança. Dor que você sabe que vai desaparecer.
Com o tempo, com a mudança.

Pra outro amor vir.
Outro amor que se encaixa melhor no momento da vida que se vive.

Para, se acontecer, acabar outra vez.
Já dizia o Orixá de Vinicius de Moraes: "amor só é bom se doer"



Mudança Abrupta

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

No baralho de Tarô, a 12ª carta da Arcana Maior é representada pela Morte.
A ideia atual sobre a morte é que ela traz consigo algo ruim.
O fim sem volta.

Mas não é assim na leitura do Tarô.
A Morte para o Tarô representa uma grande mudança.
Uma completa transformação.

Se tivesse feito uma leitura antes de te conhecer provavelmente essa carta sairia.
Estranho assim mesmo, mas as cartas nunca mentem.
Não é o que dizem?

Não fiz leitura nenhuma.
Nem acredito em prever o futuro através de cartas de um baralho.
Parece algo tão tolo para colocar toda uma vida ali.
Mas tenho quase certeza que essa carta estaria entre as outras da mesa.

É que foi algo tão repentino.
Uma mudança tão abrupta.
Que só uma carta de Tarô conseguiria explicar.

Bons Tempos

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

William Wordsworth, em seu poema de ode à Revolução Francesa, diz:
"Bliss was it that dawn to be alive,/But to be young was very heaven!"*
("Êxtase era estar vivo naquela aurora,/Mas ser jovem foi o paraíso!")

O mundo muda constantemente, mas parece estar sempre no mesmo lugar.
Ser jovem é sempre excitante.
Estar jovem durante uma revolução, é o mesmo que o paraíso.
Ser jovem durante uma mudança maciça no estado de se viver no mundo, é incrível.

É também incrível que a maioria das pessoas não tem a consciência desse "estar vivo no mundo".
Fazer parte de uma revolução sem perceber é tanto uma benção quanto uma maldição.
No entanto, saber estar parte do mundo a sua volta traz um êxtase sem igual.

Vivemos uma mudança de eras.
Em 1800, as grandes revoluções mudaram o mundo.
Em 2000, a internet e nossos celulares mudam o jeito de viver a cada dia.

Há um certo êxtase em estar vivo nessa aurora.
Nessa aurora, apresentada entre prédios, por um vídeo em um site qualquer.
Filmado do outro lado do planeta.

São tempos doidos para se viver.
E são tempos bons para se estar vivo.


*The French Revolution as It Appeared to Enthusiasts at Its Commencement

Pensando em Você

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Tenho pensado bastante em você ultimamente.
O que não é uma boa coisa, já que você tem namorada.
Não que eu leve a sério suas namoradas. Não quando você mesmo não as leva tão a sério.
Ou leva, não sei. Talvez você as leve a sério no momento em que está com elas, mas quando não estão juntos não é tão importante assim.

Sinto um pouco de pena delas, na verdade.
Me pergunto se elas sabem no que estão se metendo.
Provavelmente não.

E é por isso que não é bom pensar tanto assim em você.
Porque quando estamos juntos você faz me sentir como se fosse importante.
Mas sei que não é tanto assim.

É seu jeito, eu sei.
E é justamente por isso que não é bom pensar tanto em você.
Mesmo que seja contraditório.
Porque é realmente bom pensar em você.

Azeitonas

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Segundo a Teoria da Azeitona (The Olive Theory) uma pessoa que não gosta de azeitonas um dia poderá encontrar alguém que gosta e que irá comer as azeitonas rejeitadas de sua pizza.
Isso mostra que pessoas diferentes podem ser perfeitas uma para outra.
Os opostos se atraem e se completam.

Por muito tempo achei que não gostar de azeitonas e dá-las para outra pessoa era um sinal de afeto.
Desperdiçar aquela pequena bolinha colorida da pizza parecia errado.
E quando se está cercado por mais de uma pessoa que está disposta a comê-las por você, dar sua azeitona para alguém parece uma guerra de quem é mais importante.
A minha, por exemplo, sempre ia para meu pai.

Até que a vida muda e você se vê não tendo ninguém a quem dar aquela azeitona.
Parece um desperdício e tanto não comê-la.
Então você o faz.

E não é tão horrível quanto se lembrava que seria.
E continua fazendo. Não parece justo desperdiçar uma azeitona perfeita.
Não parece lógico não sermos autossuficientes. Não parece racional ter que dar sempre ao outro algo que é naturalmente seu.
Passar de fase a fase da vida dando as azeitonas de seu pedaço para outra pessoa.

Quando se passa tempo suficiente sozinho, se aprende a comer as próprias azeitonas.

Entre Estados de Espírito

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

É estranho como sempre queremos o que nunca podemos ter.
Estar sozinho faz com que sintamos falta de pessoas, estar com pessoas faz querer estarmos sozinhos.
Mas estar lá sempre me faz querer estar aqui.
Quando estou aqui é a vontade de estar lá que prevalece.

O ar de familiaridade às vezes prevalece à vontade de ver o mundo.
A segurança, os cheiros, o quarto de infância.
Os mesmos azulejos antigos do banheiro, e os batentes de madeira sólidos das portas.
O pôr do sol de pintura que se vê através da janela.
E o barulho da madrugada de domingo.

Parece que só se pode ser você mesmo quando está lá.
Alguém diferente do que mostra aos outros.
Alguém mais solto, melhor.

E mesmo assim, é incrível o quanto se quer partir quando se está lá.
A familiaridade não basta e acaba enchendo, sufocando.
Mas é bom saber que vai estar lá.
Sempre que precisar voltar.



 

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