The Great Perhaps

sábado, 19 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Pensei em você hoje.
Sonhei acordada com o nosso reencontro.
Ambos éramos mais velhos, mais resolvidos, mais corajosos.

Nos encontramos por acaso, claro.
Dissemos tudo o que não tivemos coragem ou oportunidade de dizer antes de pararmos de nos falar.
Quer dizer, eu disse.
Eu estava mais corajosa. Eu falei as coisas que sempre quis falar para você.
Você era fruto da minha imaginação.
Era o que eu queria que fosse. Se comportou como eu desejava que se comportasse.

Começamos com conversas bobas, sobre outros que faziam parte da nossa vida.
Sobre o passado e sobre o quanto estávamos mudados.
Sobre a última vez que nos vimos, e sobre como era aquelas poucas vezes que conversávamos.

Não tive coragem de terminar o devaneio.
Não tive coragem de te inventar mais.
Não tive coragem de alimentar mais essas ilusões.

Que vamos nos reencontrar.
Que você ainda vai estar contente em me rever, como fazia no passado.
E que, finalmente, algo além iria acontecer.

Acho que se tratando de você, o que sempre me faltou foi coragem.
Deve ser por isso que bebo tanto.

Pronto Para Fazer o Pedido?

domingo, 6 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva


Sim. Estou.
Eu quero um cara alto. Mas não tão alto.
Mas não baixo também. Mais alto que eu.
Olha a minha estatura. Calcula lá.

E que seja gostoso.
Já cansei de ficar com cara que não é gostoso. Não compensa, né.
Mas não muito gostoso também.
Não precisa ter barriga definida não.
Six pack não é necessário.

Que seja legal. Fofo. Gente boa.
E que tenha um bom papo.

Não, não.
Esquece.

Quero um bad boy.
Mas um desses bad boys com coração de ouro, sabe.
Um desses que a gente sabe que por dentro é a coisa mais linda que existe.
E que trata a mãe dele bem.
(Todo mundo fala que dá pra saber como um cara vai tratar a garota olhando pra como ele trata a mãe)

Ah, e tem que ter um sorriso lindo.
Uma coisa que não dispenso é ter um sorriso bonito.
Se não tiver sorriso bonito, devolvo sem nem ver o resto.
No mesmo dia.

Tem que ter aquele tipo de sorriso.
Sabe, aquele que quase nunca aparece. Mas que quando surge, faz as pernas ficarem bambas e a gente esquecer completamente o que é a vida.
Sabe do que estou falando, né garçom?

...
Não.
Quer saber?
Esquece.
Me traz só uma caipirinha mesmo.

Dormente

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel Silva

Existem vários tipos de dormência.
A que mais engana é quando parecemos viver intensamente.
Quando parecemos alegres, felizes, rosados.
Por fora.

Por dentro, não sentimos nada.
Nada de alegria, nada de tristeza.
Por dentro há um ar blasé que nunca passa. Aquele tédio eterno de tudo.
Das pessoas, dos lugares, dos sentimentos.

Não é nem amargura.
É uma falta de sentidos, uma dormência.
Um nada.

E aí vamos vivendo intensamente, tentando satisfazer esse nada.
Às vezes dá certo. Por um pequeno momento.
Às vezes nos sentimos felizes. Às vezes irritados.
Mas logo passa.

Viver rápido o bastante para fugir dos demônios do passado.
Das escolhas, certas e erradas.

Mas será que se viver rápido o bastante o passado fica para trás?
Se viver rápido o bastante todos os "e se"s não vão mais nos assombrar?

Às vezes, quando a gente vive rápido demais, não vivemos nada.
Às vezes, nosso coração precisa de um desfibrilador.
Ou de um amor.

Os dois são a mesma coisa afinal, não?

 

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